Vestir-se como o chefe ajuda a trazer sucesso, diz estudo

O Globo



Primeiro a má notícia: se você pensa que todos os seus colegas de trabalho se vestem mal e se orgulha do seu senso fashion original, saiba que está cometendo um ato de sabotagem contra a sua própria carreira. É que um novo estudo descobriu que o “estilo coerente” na empresa ajuda a fortalecer o espírito de equipe e aumenta os níveis de produtividade, de acordo com reportagem do jornal britânico The Guardian. Por isso, inclusive, funcionários acabam desenvolvendo, mesmo que inconscientemente, um look padrão. E não importa se você realmente se veste melhor do que os outros no trabalho: ter um estilo diferente já pode ser o suficiente para ser excluída da “tribo dos uniformes”.

Agora, a notícia que pode ser péssima para alguns: de acordo com o estudo, feito pela loja de departamentos inglesa Debenhams, é justamente nos modelitos do seu chefe que você deve se espelhar. De acordo com a pesquisa, mais de 2/3 dos gestores admitem que aqueles subordinados que se vestem como eles acabam ganhando uns “pontinhos extras”: 68% dos chefes que participaram da pesquisa dizem que prestam mais atenção nos funcionários que são “macacos de imitação”.

Cris Zanetti, consultora de estilo e autora do livro “Vista quem você é – descubra e aperfeiçoe seu estilo pessoal” (Ed. Casa da Palavra) junto com Fernanda Resende, confirma os resultados do estudo: a roupa e a aparência realmente comunicam.

— Temos códigos que lemos inconscientemente e também fazemos julgamentos, mesmo sem querer, pela aparência. Então, se a pessoa tem familiaridade com o estilo e jeito de vestir de outra no trabalho, isso vai abrir um canal de comunicação. Se você está trabalhando em equipe e tem um dress code parecido, a comunicação é facilitada — acredita Cris.

Códigos estão mais flexíveis hoje em dia

O que não quer dizer, ressalta a consultora de estilo, que os profissionais devam copiar os estilos uns dos outros ou dos seus chefes. Mas um pouco de inspiração não faz mal a ninguém — especialmente se o líder ou o colega tem um bom senso de estilo.

— É importante, sim, ver como se veste a pessoa que ocupa o cargo que você quer ter no futuro. Lembrando que adequação não significa perder o estilo pessoal — afirma Cris, dando o exemplo de uma executiva que tem um estilo original, marcado pelos cabelos vermelhos cor de fogo e o uso de estampas. — Como é executiva, ela procura usar peças de qualidade, com tecidos bons, e cortes mais retos. Ela respeita o estilo individual, mas entende quais são os códigos.

Paula Acioli, idealizadora e coordenadora acadêmica do curso de Gestão de Negócios no Setor de Moda, da FGV, concorda com a importância de se respeitar os códigos de cada setor e também defende que cada profissional use o bom senso para não desrespeitar seu próprio estilo.

— No caso do vestir em uma instituição, ou empresa, observar as regras e ter propriedade é fundamental, o que não quer dizer exatamente “imitar” o modo de vestir de um superior para ter sucesso. Mesmo porque a criatividade e o estilo pessoal podem muitas vezes superar as expectativas sem desrespeitar hierarquias ou o dress code de uma determinada empresa.

As duas especialistas concordam também que, hoje em dia, os códigos estão cada vez mais flexíveis e informais — o que é positivo, desde que, novamente, o bom senso esteja presente.

— Penso que, com a globalização, tudo está mais flexível, como, por exemplo, no caso das chamadas “sextas feiras informais” no mercado financeiro. Mas mesmo a flexibilidade tem limites e, na minha opinião, o melhor companheiro do acerto no vestir é o bom senso. Seja para quem trabalha no Google ou em uma agência de publicidade, seja para quem trabalha na Casa Branca. Em empresas vestir-se de acordo com os padrões é uma prática comum e acaba rendendo simpatia, pois os lugares onde as roupas e acessórios são comprados e as marcas escolhidas etc. acabam rendendo assunto. A criatividade não precisa ser descartada e pode sim ser usada, desde que observadas as regras.

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