Próximos concursos já devem incluir questões sobre manifestações pelo país

O Globo


As manifestações que estão ocorrendo em todo o Brasil e em alguns países onde há grande concentração de brasileiros podem ser um dos temas cobrados nas provas de atualidades dos concursos públicos daqui para frente, acreditam professores dos cursos preparatórios. Os aspectos estruturais, como causas, relações e antecedentes, assim como factuais, como a velocidade na organização a partir do uso das redes sociais, e o “apartidarismo”, podem ser alguns dos itens abordados, na opinião do professor Marcelo Saraiva, da Academia do Concurso.

Segundo Saraiva, a origem factual das manifestações ligada ao aumento das tarifas de transporte e aparente revogação do mesmo são menos importante do que seus aspectos estruturais. A tramitação no legislativo de leis extremamente antipopulares também é um aspecto relevante que deve ser levado em consideração:

— O impacto mais imediato na vida das pessoas é a politização da sociedade com debates políticos cada vez mais presentes no cotidiano, e, para o governo, o dilema entre combater a depredação e permitir o livre direito de manifestação.

Saraiva acredita que, nas provas, as manifestações atuais sejam, sim, comparadas a anteriores, tanto no Brasil como no exterior. Por isso, diz o professor, vale a pena conhecer e saber relacionar o atual movimento às manifestações históricas brasileiras, assim como processos similares e mais contemporâneos em outros países da Europa, mundo árabe, Argentina e Turquia, por exemplo.

Para Leonardo Pereira, do IOB Concursos, no entanto, ainda é cedo para dizermos se os efeitos seriam os mesmo das “Diretas já” ou do processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor, mas é certo que o fato será cobrado não só nas provas de atualidades, mas também de história, economia, entre outras.

Como as manifestações tiveram como seu deflagrador o aumento das passagens urbanas em grandes metrópoles, como Rio e São Paulo, Alex Mendes, professor de economia e de atualidades do Portal EducaOn, ressalta que os pontos de abordagem mais prováveis seriam mobilidade urbana, ética na administração pública, eficiência nos gastos governamentais, aproximação da política do cidadão:

— Somado ao elevado custo de transporte, baixa capacidade de carga e congestionamentos inaceitáveis, a superlotação com parcos investimentos no setor de transportes contribuíram em cheio para a onda de protestos. Contudo, a este se somam gastos elevadíssimos para a Copa e Olimpíadas, via de regra, com valores bem acima dos contratos iniciais.

Um aspecto importante a ser ressaltado, segundo Pereira, é que, do mesmo modo que na Primavera Árabe, esses movimentos estão sendo organizados pelas redes sociais:

— São movimentos que têm demonstrado a força do povo. A economia fica visivelmente abalada, com a bolsa de valores em baixa recorde e a valorização das moedas estrangeiras em nítida elevação, o que denota a insegurança do mercado. Por fim, pode ser alvo de uma pergunta o histórico recente de movimentos populares.

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