Os segredos da CIA que podem dar um impulso à carreira

O Globo

A ex-agente da CIA J.C.Carleson costuma dizer que, se a visão hollywoodiana da vida de um agente secreto fosse real, certamente teria um carro mais veloz, um guarda-roupa impecável e equipamentos tecnológicos de última geração por conta de seus anos de trabalho para a central de inteligência americana. No entanto, não há nenhum dispositivo biométrico em sua garagem e as lembranças provenientes da profissão são muito mais burocráticas do que as que vemos nos filmes de James Bond, afirma em artigo publicado pelo The Wall Street Journal. A verdade, segundo Carleson, é que os espiões usam muito mais a psicologia do que a tecnologia em seu dia a dia. No lugar de dispositivos e aparelhos, eles utilizam técnicas de comportamento para extrair segredos das pessoas e das organizações, simples o suficiente para serem aplicadas em situações menos secretas. Ao escrever seu livro Work like a spy: businees tips from a former CIA officer (algo como “Trabalhe como um espião: dicas sobre negócios de uma ex-agente da CIA”, em tradução livre), ela teve a intenção de identificar e explicar o trabalho de um espião de tal forma que seus métodos possam ser aplicados em qualquer profissão.

Confira algumas das lições que podemos aprender do mundo da espionagem:

— Valorize o poder do recrutamento ofensivo: É responsabilidade de um agente da CIA detectar e recrutar espiões. Na maioria dos casos, os potenciais espiões são selecionados por seu acesso à informação valiosa. As relações com estes indivíduos podem continuar por muitos anos, para sempre ou enquanto puderem compartilhar informações sigilosas. Em um número menor de casos, o propósito do recrutamento é mais imediato: desestabilizar, desmoralizar e até destruir a organização alvo. Carleson diz que não pretende aqui promover nenhum tipo de espionagem corporativa: esta lição para o mundo dos negócios é mais sutil. Concretamente, ser o principal recrutador em sua indústria significa negar à concorrência acesso a certas habilidades e líderes. O recrutamento eficaz e as políticas de retenção são muitas vezes considerados conceitos nebulosos no mundo dos negócios, mas nas empresas mais competitivas, o jogador com maior capacidade de atrair e reter funcionários chave tem uma vantagem muito tangível.

— Desenvolva uma rede de mão dupla: busque um mentor com um cargo mais alto. Vista-se de acordo com o posto que você quer alcançar, e não de acordo com o cargo que ocupa hoje. Maximize o tempo que tem cara a cara com o seu chefe. Normalmente, os aconselhamentos corporativos quase sempre vêm de cima. Os agentes da CIA, por outro lado, valorizam as redes de inteligência que se estendem em todas as direções. Claro, um diplomata de alto escalão poderia ter acesso a mais informações que um funcionário responsável pela correspondência, por exemplo. Mas um bom espião sabe que a pessoa responsável pelo serviço de correios manipula os mesmos documentos que o diretor e é muito mais vulnerável a ser recrutado. No mundo dos negócios, convém estabelecer relações em todos os níveis: desde a secretária que determina se passa sua ligação ou não, até o guarda de segurança, que sabe que o executivo com quem você está tentando se reunir chega ao ginásio do prédio todos os dias, às 5h da manhã. As redes mais eficazes têm grande alcance em todas as direções.

— Fique longe das planilhas: Em 2002 e 2003, algumas pessoas muito inteligentes com acesso à informação e gráficos sofisticados formularam um argumento convincente de que o Iraque tinha armas de destruição em massa (WMD, sigla em inglês). Depois da invasão americana ao país, a verdade foi revelada: os depósitos de armas de destruição em massa não existiam. Em 2003, Carleson passou vários meses como membro da equipe de busca a essas armas no Iraque, e os fortes contrastes entre a informação que obteve antes de chegar àquele país e a realidade do trabalho de campo foram desconcertantes. Só o fato de estar lá e fazer as perguntas certas às pessoas certas revelaram uma história muito diferente àquelas contidas nos gráficos, interpretações e análises. A inteligência humana, neste caso, fez com que as planilhas parecessem uma piada. Certamente, isto nem sempre é assim. Mas o excesso de confiança em métricas, planilhas, gráficos e previsões pode deixar os executivos cegos em relação à realidade.

— Manipular não é uma palavra “suja”: No mundo da espionagem, os riscos são altos, e os prazos, curtos. Portanto, os agentes da CIA fazem tudo o que está a seu alcance para melhorar as suas probabilidades de sucesso. O planejamento dos detalhes mais simples merece muita atenção. Um exemplo: num encontro com o seu “alvo”, a escolha do lugar por si só é uma deliberação meticulosa. O local deve ser acessível, mas discreto. Se a ordem é barrar a entrada a participantes não desejados, certifique-se de que há múltiplas saídas, sem obstrução, para o caso de as coisas ficarem feias. Tudo, da iluminação à vigilância, é selecionado para facilitar o resultado final. É a manipulação sutil do ambiente para ter sucesso no fim da tarefa.

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