Estagiários aos 40

O Globo



Dois vendedores perdem seus empregos. Aos 40 e poucos anos, descobrem que estão desatualizados, mas resolvem se candidatar a uma vaga de estágio no Google. Essa é a premissa da comédia “Os estagiários”, que estreia nesta sexta-feira, abordando, além do dia a dia na empresa mais cobiçada do mundo, o conflito de gerações e a dificuldade que quem não é da geração Y pode ter para conseguir uma oportunidade. No Brasil, é mais comum que estudantes com mais de 30 ou 40 anos só procurem estágio quando mudam de carreira ou entram na faculdade tardiamente, dizem especialistas. E, embora não seja tão fácil para o pessoal dessa faixa etária conseguir um estágio, mais empresas têm se mostrado abertas à diversidade geracional.

Foi a falta de condições financeiras que só permitiu que Davi Tavares entrasse na faculdade mais tarde. Hoje, com 41 anos e previsão de formatura para novembro em engenharia de automação, ele estagia na Whirlpool Latin America, empresa dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid há um ano e oito meses.

— A média de idade dos outros estagiários é de 20 anos, eles são mais elétricos, mas a gente troca bastante: eu tenho mais experiência técnica, enquanto eles me ensinam mais a parte de informática — conta Tavares, que antes trabalhava como técnico em mecânica e eletrônica.

Para a estudante de recursos humanos Aline Azevedo, de 37 anos, que começou a estagiar na semana passada na RCM Eventos Esportivos, a busca por uma vaga durou oito meses.

— Não foi fácil: para o mercado, com mais de 30 anos, você já não é nova. Sinto que as portas ainda são fechadas, especialmente quando a pessoa busca uma nova profissão — diz Aline, que trabalhou como gestora de loja até conseguir voltar à faculdade no início do ano.

Sócia-diretora da People on Time Consultoria, Elvira Berni reconhece que muitas empresas ainda são resistentes a contratar estagiários que já passaram dos 30, mas acredita que, no futuro, as companhias vão passar a ser mais sensíveis à diversidade geracional:

— Até porque, hoje já se começa a falar na tendência de que cada pessoa tenha duas carreiras ao longo da vida, o que exigirá que as empresas saibam lidar melhor com essas mudanças.

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