Envolvimento com causas sociais e trabalho voluntário enriquecem o profissional

O Globo


Buscar uma forma de encontrar soluções para os problemas do bairro, cidade ou país, pode ser um bom exercício para o crescimento pessoal e, também, profissional. Mas transformar não precisa ser apenas por meio de protestos — como estamos vivenciando nas últimas semanas — mas principalmente através de ações no dia a dia, dizem especialistas. Participar de causas sociais ou de ações dentro da empresa e no bairro ou fazer um trabalho voluntário são formas de ajudar o próximo e, de quebra, ganhar uns pontos extras no currículo.

De acordo com o consultor de RH e coach Silvio Celestino, ao se envolver com causas sociais e observar como são resolvidos os problemas no mundo, o profissional amplia sua visão e tem maior velocidade para resolver seus próprios problemas, do departamento, da empresa e, evidentemente, do país:

— No Brasil, é pouco comum as pessoas fazerem perguntas que podem acelerar a solução de problemas e é por isso que muitos deles se arrastam indefinidamente. Por exemplo: qual a melhor forma de crescer um país? Quais as características das melhores constituições do mundo? Quais são os países com menor corrupção e como eles lidam com esse crime? Questionar e ver como foram encontradas as soluções contribuem para o crescimento da pessoa, em todos os sentidos.

Celestino ressalta que o engajamento em iniciativas desta natureza é cada vez mais valorizado pelos recrutadores e empresas:

— Pessoas responsáveis são desde já e sempre. Ou seja, quando um gerente olha o currículo de uma pessoa e deseja saber se ela é responsável, o que procura determinar são evidências de que essa pessoa já assume responsabilidades em sua vida. Uma dessas evidências é mostrar seu engajamento em questões relevantes, sem contrapartida financeira.

Na verdade, diz Ylana Miller, sócia-diretora da Yluminarh e professora do Ibmec, há mais de uma década profissionais que realizam trabalhos voluntários têm suas atitudes valorizadas pelo mercado. Em geral, acrescenta, são avaliados como pessoas que tem um propósito definido, que visam à construção de um legado.

— Participar de um trabalho voluntário enriquece o profissional como um todo porque potencializa o desenvolvimento de muitas competências (comunicação, liderança, relacionamento etc.). O voluntariado é visto como um diferencial. Entretanto, é importante alertar que não deve ser apenas um modismo para enriquecer o currículo.

Muitas empresas, inclusive, incentivam e têm seus próprios programas de voluntariado, muitas vezes até desconhecidos de seus empregados. Segundo Ylana, as organizações podem motivar, estimular e contagiar os funcionários ao voluntariado através de diversas ações, como a divulgação dos programas por elas patrocinados, além de convidar seus colaboradores e familiares a participarem, destacando suas contribuições em veículos internos.

Celestino, por sua vez, acredita que uma boa forma de conseguir um maior adesão é levar os funcionários a compreenderem o propósito desses projetos e convidá-los a visitá-los, mas deixando-os livres para se envolver ou optar por outros programas. O coach faz um alerta: é preciso cuidado para não rotular pessoas que não participam de programas voluntários.

— Nem todas as pessoas são indiferentes, mas, por vezes, já se ocupam em auxiliar um membro da família em dificuldades e, portanto, não possuem tempo disponível para outras ações.

Para fazer a diferença, seja socialmente ou profissionalmente, o importante é não fazer nada ilegal, ressalta Celestino:

— Diante do que vivemos hoje no país, indo para as ruas ou não, o importante é pressionar pela não violência. Portanto, cuidado para não se prejudicar, pois os protestos e as outras áreas de sua vida têm de coexistir. Você deve participar sem prejudicar a si e sua imagem. Não se envolva em atos ilegais.

Endossando a opinião de Celestino, Ylana afirma que é primordial que os profissionais defendam suas ideias e se posicionem com ética e respeito, tanto nos ambientes corporativos quanto na sociedade em geral.

— A preocupação com a imagem é fundamental.

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