Empresários investem cada vez mais em capacitação profissional

As empresas brasileiras investem mais de R$ 60 milhões por ano em treinamentos para os seus funcionários, segundo a Associação Brasileira de Ensino a Distância (ABED). O número revela que o peso dado para a qualificação é grande. Nos Estados Unidos, o montante é ainda maior: de acordo com a Sociedade Americana de Treinamento e Desenvolvimento, as empresas do país gastaram US$ 171,5 bilhões em educação e desenvolvimento em 2010, o último ano para o qual há dados. Investimentos tão altos têm um bom motivo, e alguns executivos do ramo revelam qual é.

— Treinar a equipe é fundamental. Dificilmente encontramos um profissional pronto, e com esse tipo de abordagem, o direcionamos para as necessidades da empresa. Além disso, a motivação só cresce quando o funcionário nota que estamos investindo em seu crescimento — afirma Anderson Souza, diretor de tecnologia da Vertigo Tecnologia, onde são oferecidos cursos de gestão de projetos, além de outros mais técnicos.

Além de experiências presenciais, muitos gestores optam pelo ensino à distância. A Asterisco, especializada em atividades de apoio à educação, cria ferramentas com esse objetivo.

— As empresas nos procuram para dar esse suporte, pois hoje em dia o “calcanhar de Aquiles” de muitas delas, e que impede ou retarda seu crescimento, é a falta de pessoas qualificadas na área de seu negócio. Através do e-learning, conseguimos atuar de forma ágil, com custo reduzido, sendo possível atingir milhares de pessoas simultaneamente — salienta Helena Fragomeni, sócia-diretora da Asterisco.

Com gastos maiores ou menores, sempre há um investimento. Mas será que compensa? Sérvulo Mendonça, sócio da Insigne Consultoria, que, entre outras ações, criou um projeto de videoaulas para os funcionários, afirma que sim.

— Na nossa empresa não encaramos isso como um custo extra, mas sim como um investimento. Alguns gastos são, sim, necessários, como aluguel de auditório, equipamentos e, até mesmo, horas produtivas, já que os eventos são ministrados em horário normal de expediente. Mas estamos, efetivamente, trocando horas de produção por horas de crescimento intelectual — diz Mendonça.

A experiência parece ser aprovada não só nas empresas daqui: a Google, reconhecida por suas ações em prol dos funcionários, investe no projeto que chama de GoogleEDU e aprova a experiência. “A gente se esforça muito para conseguir as pessoas certas. Queremos que atinjam todo o seu potencial”, afirmou Karen May, vice-presidente de liderança e talentos da Google, que comandou a reformulação do GoogleEDU, lançado há dois anos, em entrevista ao The Wall Street Journal.

Souza compartilha da opinião de May e acrescenta que a capacitação dos seus profissionais evita futuros transtornos:

— Se a pessoa aprende na prática, o risco de cometer erros é muito maior. Essa experiência pode ser muito mais traumática e estressante. A capacitação é um meio muito mais tranquilo de aumentar a produtividade do trabalhador e também de ele assimilar a política da empresa. Temos tido bastante êxito com isso.

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