Conexão social a qualquer hora. Até mesmo no trabalho

O Globo

Um terço dos jovens que costumam acessar as redes sociais durante o horário de trabalho sabe que isso atrapalha sua produtividade. Mesmo assim continuam checando seus perfis no Facebook, Twitter, Google+ e outras plataformas. É o que indica uma pesquisa feita pela Page Talent, unidade de negócios da Page Personnel dedicada ao recrutamento de estagiários e trainees. Segundo o estudo, 45,2% dos jovens usam as redes no trabalho. Destes, 20,5% acham que isso compromete muito o rendimento e 17,8% acreditam que atrapalha um pouco — enquanto a maioria (61,6%) não se sente comprometida.

— Apesar de saber que atrapalha, grande parte usa. E não é restrito aos jovens: seus pais também acessam. É um fenômeno mais amplo — diz Manoela Costa, gerente da Page Talent.

Média de uma hora de uso diário

E, por mais que se fale cada vez mais sobre as normas de recomendação de uso das redes sociais, ainda tem muita gente que não sabe, de fato, como lidar com elas, especialmente no trabalho.

— E para as empresas a situação também é difícil — diz Manoela.

A pesquisa também mostra que, dos 45,2% que usam as redes durante o expediente, 42% permanecem conectados por cerca de uma hora por dia.

— Com o celular e as plataformas móveis, a pessoa está conectada praticamente 24 horas por dia. A qualquer momento é possível dar uma espiada — afirma Rodolfo Roquette, diretor executivo na Proff Gente & Gestão, acentuando que isso pode ser problema. — Especialmente para empresas que não acompanham entregas estruturadamente. Naquelas em que há planos de ação e prazos determinados, um funcionário pode até bisbilhotar suas redes, mas isso não será problema.

Por isso, dizem especialistas, é importante que o empregador confie em sua equipe para saber que seus integrantes terão noção do limite na hora de acessar as redes. Cassio Krupinsk, sócio da Oxibiz, conta um caso em que a permanência excessiva numa rede foi confundida com algo negativo.

— Uma funcionária passava muito tempo no chat do Facebook. Chamamos a atenção dela, que disse que poderia nos mostrar todas as conversas: ela discutia com colegas da universidade formas de melhorar seu trabalho — conta Cassio, que acabou pedindo desculpas à jovem. — Por isso é fundamental conhecer com quem trabalha.

Assim como na Oxibiz, os sites de redes sociais são totalmente liberados no Minha Vida, portal dedicado à saúde.

— Como somos uma empresa de internet, essas redes viram ferramentas de trabalho. Mas acredito que isso só atrapalhe quando o funcionário está desengajado. A culpa não é da rede social, um profissional desmotivado poderia passar o tempo lendo livro ou vendo filme na internet — diz Marcia Netto, diretora de Marketing do portal.

Marcia nota, inclusive, um fenômeno curioso: quando diagnosticam o uso demasiado por parte de algum integrante da equipe, essa pessoa acaba saindo da empresa pouco depois.

Mas será que a geração atual de profissionais não está se tornando, naturalmente, mais “multitarefa”?

— Depende do nível de trabalho. Se for uma tarefa mais analítica, interrompê-la para checar as redes realmente atrapalha — diz Marcia.

Para Julyana Felícia, psicóloga e gerente de RH da MegaMatte, de maneira geral o raciocínio acaba prejudicado:

— Afinal, quando a pessoa acessa redes sociais, interrompe o trabalho para cuidar de assuntos pessoais.

— Definir determinados períodos para acesso ajuda a diminuir esse impacto negativo — sugere Manoela Costa.

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