Como vencer a fadiga no trabalho

O Globo


Você se irrita ao extremo no trabalho e está com a sensação de esgotamento físico e mental? Apresenta falta de concentração e falhas de memória? Fique atento, pois você pode ser mais uma vítima da Síndrome de Burnout, transtorno que vem atingindo um número cada vez maior de brasileiros e está vinculado a uma exposição contínua a fatores de estresse crônicos no ambiente profissional. O problema costuma causar inúmeros prejuízos ao trabalhador, entre eles exaustão emocional, caracterizada por fadiga, fraqueza, falta de esperança, impaciência, irritabilidade e dificuldade em lidar com as situações estressantes.

Nem sempre, no entanto, o caso chega ao extremo, mas qualquer sinal de fadiga merece atenção, pois não se trata de uma doença isolada, esclarece Márcia Merquior, doutora em Saúde Coletiva do Vita Check-Up Center. Cansaço demasiado e desânimo são sempre frutos de um contexto de muito trabalho ou muita pressão ou meta por alguma coisa que achamos difícil atingir, explica a médica:

— É o sentimento de sobrecarga, de estar indo além dos limites das possibilidades. A fadiga está ligada ao ritmo de trabalho ou a problemas pessoais em que nos sentimos incapacitados de encontrar uma solução adequada. É um efeito físico e mental que fala de um limite atingido. Por isso, ele vem acompanhado de uma sensação de desmotivação. Não há estímulo diante de uma meta impossível.

Sócia-diretora da Yluminarh e professora do Ibmec, Ylana Miller afirma que pessoas estressadas e com outros problemas de saúde dificilmente conseguem manter a sua energia e motivação nas atividades profissionais. Imediatamente, nota-se uma mudança de ânimo e, por vezes, uma irritabilidade com os colegas de trabalho, além, é claro, de diminuição da produtividade.

— O foco passa a ser outro e o profissional acaba priorizando a resolução de seus problemas pessoais. Os resultados da área são afetados na medida em que o comprometimento e a produtividade diminuem. Em geral, a equipe também se desestabiliza.

Entretanto, completa Ylana, não se pode generalizar: há profissionais que, mesmo diante de sérios problemas pessoais e da pressão do dia a dia do trabalho, conseguem manter o equilíbrio emocional e alcançam os resultados propostos.

E quais são as profissões mais desgastantes? Segundo a doutora em saúde coletiva, trabalhos em ambientes muito fechados e com esforço físico ou mental constante e exigente são realmente extenuantes. Veja alguns exemplos:

  • Trabalhar em minas, em construções, estaleiros, hospitais, bolsa de valores etc;
  • Professores e ou médicos que precisam trabalhar em vários lugares diferentes, enfrentando trânsito pesado;
  • Motoristas de ônibus;
  • Bombeiros ou paramédicos;
  • Trabalhos operacionais pesados, como em plataformas de petróleo, e aqueles que levem risco à segurança, como policiais.

A médica aponta como menos desgastantes as profissões ligadas a artes, eventos, teatro, cinema etc. Mas ressalta: tudo sempre vai depender do contexto, das circunstâncias e das condições de trabalho.

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